ENTREVISTA: María Gabriela fala sobre Deadly Class e planos para o futuro em entrevista para o site “El Estímulo”
ago 31, 2018
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María Gabriela de Faría concedeu uma entrevista para a seção “clímax” do site de notícias “El Estímulo”. A atriz falou um pouco sobre sua personagem na nova série do SyFy, Deadly Class, a qual teve suas gravações oficialmente iniciadas na última quarta-feira (29 de Agosto), contou bastante sobre como foi deixar o papel principal do filme venezuelano Dirección Opuesta, dirigido por Alejandro Bellame, esse em que ela se preparou para fazer durante 4 anos. María também revelou sobre a experiência de trabalhar para crianças nas séries da Nickelodeon e se existem planos de voltar a cantar. Confira a entrevista traduzida a seguir:

Em julho, foi perguntado a María Gabriela de Faría se ela tinha imaginado estar na Comic-Con de São Diego. E ela respondeu que tudo aconteceu assim como ela uma vez imaginou. Ela, que aos cinco anos de idade decidiu ser atriz, viu seu rosto em um dos cartazes do famoso e multitudinário encontro de seguidores de sagas. Ali estavam esses olhos grandes, esse tosto, que também pertence a María Salazar, como é chamada a personagem que interpreta em Deadly Class, a adaptação dos quadrinhos de Rick Remender que tem como produtores executivos Anthony e Joe Russo, diretores de Vingadores: Guerra Infinita (2018), Capitão América: Guerra Civil (2016) e Capitão América: O Soldado Invernal (2014).

“Não exatamente imaginei estar na Comic-Con, mas sim em um grande evento. Para conseguir realizar sonhos, primeiro se tem que imaginá-los. Esse é o primeiro passo. Quando vi meu rosto no cartaz, chorei muitíssimo, como uma boba. Não podia acreditar no que eu estava vivendo depois de vários anos de trabalho, depois de tantos sacrifícios. Também estive muito grata com Deus, com a vida e todas as pessoas que tem estado comigo durante todos esses anos”, afirma a atriz venezuelana, nascida em 1992, que no ano passado se mudou para Los Angeles depois de viver na Colômbia.

Ela considera que apesar das conquistas, ainda não há razões para se sentir realizada como atriz. A mudanças, especialmente a mudança do ano passado, a fizeram entender que ainda falta muito para aprender.

Mas há uma boa vigília. Protagonizou um dos fenômenos juvenis da televisão das décadas recentes: Isa TKM, que foi transmitida pela Nickelodeon no ano de 2009.

A menina que começou nas telenovelas de RCTV como Trapos Íntimos (2002) e Ser Bonita no Basta (2005), depois de várias séries juvenis, agora se molda como a nova celebridade venezuelana de Hollywood. Assim como Edgar Ramírez deixou de ser Cacique, María Gabriela se afasta de Isavella Pasquali.

E não se trata apenas de televisão. De Faría também se vê nas telonas. Recentemente participou do filme mexicano Plan V de Fez Noriega, que estreou esse mês, e no ano passado foi notícia por ter sido escolhida para interpretar o personagem de Eugenia Blanc em Dirección Opuesta, a adaptação para o cinama de Blue Label/Etiqueta Azul de Eduardo Sánchez Rugeles, encarregado pelo cineasta Alejandro Bellame.

Não foi a única surpresa para os entusiastas dessa obra literária. Depois de começar as gravações do longa-metragem, soube-se que atriz deixou o projeto pela oportunidade de estar no elenco de Deadly Class.

– Como vai o processo da série?
– No final do mês começaremos a filmar. O piloto já está pronto. Atualmente estou em Vancouver, Canadá, onde estamos ensaiando, fazemos provas de câmera, vestuário e maquiagem. Só resta fazer os próximos episódios do show.

– O que pode nos dizer sobre o seu personagem?
– É bipolar e faz parte dessa academia para artes mortais, chamada King’s Dominion. Por alguns momentos é divertida, espontânea, a alma da festa, mas também pode ser depressiva e uma máquina de matar. Comete assassinatos e outros trabalhos para o cartel desde que tem sete anos de idade. É tudo o que posso contar.

– Há pouco você publicou uma história no Instagram em que comentou que se tivera que escolher o último para fazer em sua vida, chamaria seus pais. Os chamou, mas não responderam. Quais tem sido os sacrifícios para alcançar suas conquistas?
– Bom, estar distante das pessoas que amamos. Isso não só acontece comigo, mas a todos que tramalhamos nesse meio porque se tem que ir ao lugar onde está o trabalho, não se fica num mesmo local. Eu sempre fui dessas pessoas que gostam de ter um lugar: permanecer, ter uma casa para ter meus filhos, criá-los e morrer ali. Foi há pouco tempo que fiz as pazes com a ideia de que minha vida não será assim. Eventualmente, poderei estar um pouco mais estável, mas nesse momento não. É preciso fluir com a situação. Mais que um sacrifício, é importante vê-lo como uma oportunidade para crescer como ser humano e profissional. A distância e a instabilidade não me tornaram apenas melhor atriz, mas também me fizeram quebrar padrões que tenho como ser humano; não ser tão controladora e tratar de levar melhor as coisas da vida. Enfim, se trata de aceitar isso. O faço com todo o amor porque escolhi essa profissão quanto tinha cinco anos, ninguém me obrigou. Ao mesmo tempo, me ajuda a apreciar melhor tudo, a minha família e a minha terra.

– O que tem sido mais satisfatório e mais difícil desses anos?
– Começo pelo segundo. Desde que me mudei a Los Angeles, tem sido difícil descobrir que na Venezuela, incluindo a América Latina, a pessoa vive em uma bolha em que se sente muito capaz ao estar protegido por sua gente, a família e pelo meio em que se desenvolveu durante anos. Mas ao ir para outro país, você percebe que o nível em que pensava que estava não existe. Você se da conta de que o aprendido não é suficiente para as grandes ligas que Hollywood representa. Resta então trabalhar e ter muita vontade. Não descansar, não ter férias e investir o dinheiro em aulas, preparação e livros. Agora, isso também foi o mais satisfatório porque sou muito mais capaz do que pensei que era. Falta muito para preencher e isso é maravilhoso; desafiar-me e ver quais são meus limites. E tem dado frutos. Estar aqui em Vancouver é uma das recompensas de todos esses vinte anos de trabalho.

– Se tornou a atriz que sonhou ser?
– Bom, tem um pouco a ver com a pergunta anterior. Não sou a atriz que sonho ser. Acho que você nunca é. Se você pensa que está realizado, tem alguma coisa errada. Acho que isso se aplica a todas as profissões. Estou em um processo de descobrimento, de treinar e ser a atriz que sou nesse momento com a certeza de que pode ser melhor.

– De seus anos em RCTV e Nickelodeon, quais foram os ensinamentos que até agora mais tem te ajudado?
– Uau, os anos na RCTV parece que foram em outra vida. Ali comecei como atriz. Trabalhei com gente tão talentosa como Amanda Gutiérrez, com quem eu fiz minha primeira novela. Também esteve Nohely Arteaga. Elas me formaram quando eu estava pequenina. Na Nickelodeon o desafio foi trabalhar em um formato infanto juvenil. É complicado porque tem suas próprias maneiras. Isso as pessoas não veem porque não fazem trabalho para crianças. Sei que era uma criança, mas não naquele momento também. Depois de tanto trabalhar para eles, me agarrei em um amor a esse público tão grande. Me fascinou a possibilidade que implica, pois tudo o que você fizer, eles querem imitar. Então, constantemente tens que se perguntar sobre o que você é e o que quer ser. Quando assume isso, é um processo evolutivo muito bonito como ser humano. Eu agradeço muito. Também trabalhei no estrangeiro com Fox na Argentina e no México. Cada projeto deixa uma aprendizagem diferente e uma gama de ferramentes que nunca terás se ficar em apenas um lugar.

– Quando voltará a cantar?
– Bom, eu não sou cantora. Fiz isso porque meu trabalho me exigiu, como as séries da Nickelodeon pois nesses programas é importante a parte musical. Isso também tem me ajudado muito a ampliar minha caixa de ferramentas artísticas. Mas isso de cantar eu não faço como carreira. Amo a música e respeito muito aos músicos. Assim como eu não gosto que algum paraquedista se chame de ator, sinto que o mesmo vale para o canto. Não o farei ao menos que um personagem me exija isso.

– O que te falta explorar?
– Muitas coisas (risos). Eu queria poder fazer tudo o que a vida me puser à frente. Deadly Class é um desafio incrível e não estou pensando em mais nada neste instante. Sei que minha agente e minha equipe de trabalho está se perguntando o que virá depois, mas simplesmente estou muito agradecida por esse momento.

– Desde pequena faz parte do meio artístico. Acredita que o furacão de uma indústria tão competitiva e que expõe tanto os seus integrantes te privaram de algo?
– Eu estava falando justamente disso com uma amiga há umas semanas. Comentei com ela que apesar de que desde pequena tenho estado no meio, e perdi momentos como minha graduação do colégio, ou as viagens com os colegas, as festas do pijama, as festas nas casas de minhas amigas e atividades extracurriculares, nunca me senti limitada. Minha mamãe sempre esteve presente, especialmente quando ficava triste ao chegar no colégio e não entendia uma piada interna porque perdi a reunião do dia anterior. Chorava, sempre fui muito sensível. Ela me perguntava se eu queria seguir, ou se preferia dar um “break”, mas eu sempre a dizia que não porque estava fazendo o que eu amava. É uma oportunidade de fazer o que me apaixona e chegar a milhões de pessoas. Quando faço uma retrospectiva, minhas amigas nunca me julgaram por isso. Há poucos meses fui ao casamento de uma das minhas melhores amigas do colégio. Não as perdi e nem minha profissão.

– O que foi mais difícil de deixar Dirección Opuesta?
– Tudo. A duas semanas de gravação adiantadas, que foram maravilhosas. Foram as duas melhores semanas de filmagem da minha vida. Tive que deixar uma árdua preparação, os quatro anos que tive trabalhando o personagem, os dois meses de trabalho com Alejandro Bellame. Foi duto deixar uma equipe que se tornou minha família em Caracas, que me fez voltar ao meu país, e fez eu me dar conta que o talento venezuelano não tem que invejar nada que há no estrangeiro. Me refiro à equipe humana, a sua entrega. Passei dois meses muito duros nesse aspecto. Mesmo que tenha sido completamente minha decisão, não quer dizer que não tenha sido triste.

– Tentará fazer cinema venezuelano novamente? Não teme que exista uma predisposição de algum diretor daqui para ter você em seu elenco.
– Essa pergunta me parece engraçada. Por que teriam que estar predispostos? Bom, é que isso pouca gente sabe, só a equipe de Dirección Opuesta. Eu não apenas era a protagonista, mas também coprodutora. Praticamente mais além das portas que Alejandro Bellame me abriu para interpretar a Eugenia, eu também abri as portas para poder fazer o longa-metragem.  Coloquei toda a minha poupança (risos) para produzir, não só na Venezuela mas também a parte na Itália. Por isso a decisão foi muito dura, não só pela perca profissional e artística de deixar a Eugenia, mas também a econômica. Alejandro e eu tivemos uma relação muito intensa, de trabalho e pessoal, em que nos envolvemos muito. Como toda relação, como um matrimônio, às vezes se fratura e é preciso ir por caminhos separados. Tanto Alejandro como eu sofremos as consequências em todos os aspectos. Porque ele também é produtor. Por esse lado foi muito forte, mas também te digo que quero seguir abrindo as portas ao cinema venezuelano como tentei com Dirección Opuesta. Não quero ser apenas atriz de um filme, mas também ser um músculo econômico importante para a criação. Tanto Christian McGaffney (seu namorado) como eu, queremos levantar o cinema venezuelano que tem estado tão esquecido, pisoteado e politizado. Não o vejo nesse ano e no seguinte, mas sim no futuro. Agora, voltando à origem da pergunta, justamente depois do anúncio da minha saída de Dirección Opiesta, dois diretores me ofereceram papéis em seus filmes. Em uma não pude estar, já a filmaram, e na outra estamos em processo de financiamento. Quando essa etapa hollywoodense me permitir, eu gostaria de fazer cinema venezuelano, abrir as portas para ele no estrangeiro, introduzi-lo com muito mais força econômica.

– Há outros projetos depois de Deadly Class?
– Atorais não. Tenho outros que não tem a ver com a atuação, mas que estão muito legais. Estão relacionados às mudanças sociais. Sou vegana e me interessa tudo que é relacionado ao organismo, a moda ecológica. São muitos projetos paralelos à atuação, mas não tenho nada concreto que possa dizer. Por agora, sei que Deadly Class estreará em 2019, mas ainda assim não foi decretada a data de estréia. Sairá em diferentes canais. Não tenho claro quem a comprou na América Latina, mas acredito que sei quem é e será muito legal.